Conservar para durar

publicacao0 382x356pxNada dura para sempre, tudo tem um tempo limitado de vida, mas e se podermos aumentar esse prazo?
E se os objetos que constituem o património tiverem a possibilidade de terem uma vida mais prolongada?
Uma nova trajetória?
Ou uma nova maneira de serem vistos?
Este é o objetivo central da conservação, poder retardar a degradação, permitir a fruição e evitar a perda do conteúdo de cada peça.

Todo este trabalho é feito no Laboratório de Conservação e Restauro do Museu de Portimão e só é possível graças ao estudo da natureza dos artefactos e à análise da sua degradação, elementos que conduzem ao desenvolvimento de técnicas para a sua preservação.

Nesta rubrica iremos levar até si alguns destes trabalhos. Estejam atentos!

  

Pórtico D. João II

Pórtico D. João II

Designado por Pórtico de D. João II, trata-se de uma estrutura em pedra do que seriam as cantarias da última morada do “Príncipe Perfeito” que viria a falecer na Vila de Alvor.

Este elemento patrimonial é formado por um conjunto de pedras separadas e assentes no lugar, composto por verga, ombreira e aquelas que seriam os socos. Não sendo uma cantaria enobrecida é chanfrada e aparelhada, típica dos guarnecimentos dos vãos de portas das construções regionais da época.
Considerando a exposição dos materiais construtivos faces aos elementos naturais era notório algumas sujidades e ataque biológico visível pelo crescimento de musgos, algas e líquenes.
A intervenção baseou-se na limpeza por jato de água e colocação de agente biocida.

Limpeza de metais arqueológicos

Limpeza de metais arqueológicos

O laboratório de conservação e restauro do Museu de Portimão é o responsável por uma série de intervenções em objetos arqueológicos, independentemente da sua natureza, proveniência ou idade. Neste caso efetuámos uma intervenção de limpeza numa moeda, ceitil (2ª Dinastia). Esta ação irá permitir identificar o reinado da sua cunhagem, bem como a sua apresentação numa qualquer exposição futura, o seu armazenamento ou até o seu empréstimo.
Binóculos Ocean Revival

Binóculos Ocean Revival

Com o propósito de promover o turismo subaquático na região de Portimão foi criado o projeto Ocean Revival. A partir do qual se efetuou o afundamento num mesmo local de um conjunto de navios de guerra, criando um recife artificial único.

Para a execução deste lugar foi necessário providenciar o desmantelamento e descontaminação de todos os elementos das embarcações que não oferecessem segurança ou que não permitissem as condições ideais para a proliferação da vida marinha. Neste sentido, e para memória futura, foram entregues ao Museu de Portimão alguns dos elementos removidos dos anteriores navios da Marinha Portuguesa. Dos quais fazem parte este “Director de Tiro Secundário” da Fragata Comandante Hermegildo Capelo (F 481).
Este Director de Tiro Secundário é constituído por um sistema ótico e uma base. Por sua vez o sistema ótico é composto por: foco; prismas; e tubos, sendo que cada tubo possui dois tipos de lentes, uma objetiva (localizada mais próxima do objeto a ser visto) e uma ocular (situada mais próxima dos olhos). Já a base, que permite manter a estabilidade mecânica do corpo e do mecanismo de focalização, é constituída por uma torre e cadeira. Em conjunto todos estes elementos permitiam a este navio de guerra um grande alcance da visão e capacidade na assistência de lançamento de projeteis.
Tendo como objetivo a preservação da sua integridade física e respeitando ao máximo a essência original da peça a equipa de Conservação e Restauro do Museu de Portimão providenciou a sua manutenção. Para o efeito o Director de Tiro foi removido da exposição do Museu e tratado na oficina de conservação e restauro onde foi todo desmanchado, limpo, tratado mecanicamente, preservado com camada de proteção, aplicada pintura e realinhado, sendo colocado novamente em exposição no átrio do Museu.


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