MUSA – Musealização dos Achados Arqueológicos do fundo do Rio Arade

Este projeto estruturante, é promovido em regime de copromoção pelo Município de Portimão, Município de Lagoa e Património Cultural, I.P., com apoio financeiro do Programa Regional ALGARVE 2030, alinhando-se diretamente com os objetivos de valorização e divulgação do património cultural marítimo e subaquático.
A iniciativa conta com o apoio das áreas governativas da Coesão Territorial e da Cultura, nomeadamente através do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), refletindo uma aposta clara na proteção e valorização do património arqueológico submerso português, da Administração Portuária, da Universidade do Algarve e da CCDR Algarve.
O projeto MUSA visa a investigação, preservação e musealização dos achados submersos identificados no leito do rio Arade (entre Portimão e Lagoa), mas também a criação de espaços museológicos físico e virtual, bem como a promoção de uma reserva subaquática visitável, que permitirá ao público conhecer no local parte do património arqueológico submerso.
Com um investimento superior a 3,4 milhões de euros, será adotado um modelo de gestão sustentável e colaborativo, envolvendo fontes de financiamento diversificadas e parcerias estratégicas com entidades locais regionais e nacionais.
As atividades a realizar são, entre outras:
• campanhas arqueológicas e laboratoriais,
• ações de restauro e conservação,
• uma exposição nas margens do Arade,
• a reformulação do Núcleo de Arqueologia Subaquática existente em Portimão,
• núcleo museológico em Lagoa,
• diversas ações científicas de divulgação e partilha de conhecimento.
Este é um passo decisivo para colocar o património cultural subaquático do Algarve ao serviço da ciência, da educação, da cultura e do turismo, afirmando-se como um recurso estratégico de elevado impacto para o desenvolvimento regional sustentável.
O investimento, uma parceria robusta dos Municípios de Portimão e de Lagoa, com a Património Cultural, IP, alinha igualmente com a Nova Bússola da Cultura proposta pela Comissão Europeia: um quadro estratégico para também tirar proveito das múltiplas dimensões da Cultura.
Junta-se a Declaração de Compromisso de Sustentabilidade assinada pelos promotores do projeto, com respetiva calendarização de atividades prevista e valores alocados a cada um dos parceiros.
Campanha arqueológica em curso desde 15 de setembro terminou a 3 de outubro. Segunda fase está prevista entre maio e outubro de 2027.
Os resultados preliminares da primeira campanha de trabalhos arqueológicos subaquáticos do projeto MUSA – Musealização dos Achados Arqueológicos do Fundo do Rio Arade foram apresentados na passada quinta-feira, 1 de outubro, no Museu de Portimão. A sessão incluiu uma visita de barco ao estuário do Arade, permitindo à comunicação social acompanhar o progresso dos trabalhos.
A apresentação, que decorreu na Sala do Descabeço, contou com a intervenção de José Bettencourt, Chefe de Divisão do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), que detalhou o ponto de situação da campanha em curso. Intervieram também Bruno Inácio, Vice-Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), Anabela Ribeiro, Vereadora com o pelouro do Ambiente da Câmara Municipal de Lagoa, e Álvaro Bila, Presidente da Câmara Municipal de Portimão.
A atual campanha decorre desde o dia 15 de setembro em vários sítios subaquáticos dos concelhos de Portimão e Lagoa, com o objetivo de aprofundar o conhecimento científico sobre os vestígios históricos submersos na bacia do Arade.
MUSA: investigar, conservar e valorizar o património subaquático
O projeto MUSA resulta de uma parceria entre os Municípios de Portimão e Lagoa, o Património Cultural, I.P., através do CNANS, e a CCDR Algarve, contando com um investimento inicial de 3,4 milhões de euros financiado pelo Programa Regional ALGARVE 2030.
O projeto visa investigar, conservar e valorizar o património arqueológico marítimo e subaquático do estuário do Arade, uma zona estratégica com vestígios que cobrem mais de dois mil anos de história.
Atualmente, o CNANS tem à sua guarda mais de 1.800 bens arqueológicos móveis oriundos da região, entre os quais se encontram, destacando-se a embarcação Arade 1 e as peças de artilharia da Ponta do Altar B, classificadas como Tesouro Nacional.
Estruturado em três eixos fundamentais — Trabalhos Arqueológicos, Conservação e Valorização —, o MUSA prevê um vasto plano de ações: a reformulação e ampliação do núcleo de arqueologia subaquática do Museu de Portimão; a criação do Museu Arqueológico de Lagoa; a criação de uma reserva subaquática visitável; o reenterramento de materiais orgânicos sem tratamento imediato para salvaguarda futura; uma exposição nas margens do Arade e o lançamento de um Museu Virtual; entre outras iniciativas.
Intervenções no terreno e novas etapas
A campanha arqueológica abrangeu vários contextos de elevado interesse arqueológico, como Arade B, Leixão da Gaivota, Geo 1, Arade 1, Geo 5, Arade 23 e o sítio do naufrágio da canhoneira portuguesa Faro, ocorrido em 1912.
Os trabalhos envolvem a colaboração de diversas entidades científicas e operacionais, designadamente a Universidade do Algarve, através do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património; a Universidade NOVA de Lisboa, através do CHAM – Centro de Humanidades; a Administração dos Portos de Sines e do Algarve; a Marina de Portimão; a PortiSub; e a Capitania do Porto de Portimão.
A curto prazo os trabalhos serão complementados com prospeção geofísica das zonas arqueológicas, sondagens geoarqueológicas nas margens e leito do rio, além do estudo arquivístico aprofundado sobre a história documental do rio Arade.
Reforço da capacidade de conservação e expansão museológica
No âmbito da conservação, está a ser instalado e equipado o laboratório especializado e a reserva arqueológica afetos ao projeto.
A aquisição de equipamento técnico avançado para o laboratório de conservação do Museu de Portimão garantirá as condições ideais para a preservação de bens recuperados de ambientes subaquáticos. Este investimento reforçará a capacidade de resposta às necessidades de conservação dos materiais arqueológicos e contribuirá para consolidar o papel do Museu de Portimão nesta área.
A musealização dos achados arqueológicos e a sua disponibilização ao público constituem objetivos centrais do MUSA, que pretende aproximar a comunidade deste património e promover a sua valorização cultural e turística, dando a conhecer a importância histórica do estuário do Arade e a sua relação com a história da região. Paralelamente, foram já iniciados os trabalhos preparatórios para o futuro Museu Arqueológico de Lagoa. Numa primeira fase, serão realizados os diagnósticos arqueológico e geotécnico do Solar dos Júdices, e, posteriormente, começar-se-á a trabalhar na reformulação expositiva do Museu de Portimão e na construção do discurso museológico do novo equipamento a criar em Lagoa.
Com o MUSA, Portimão e Lagoa consolidam uma estratégia comum de salvaguarda patrimonial, unindo a investigação científica ao desenvolvimento cultural e turístico do Algarve.